Design interior
Coisas legais para tempos movediços
Querida leitora, querido leitor,
Não sei se você já teve esta experiência, mas às vezes nos transformamos naqueles bonecos João Bobo de posto, sabe? Ando meio assim. Mole e ridícula. Caminhando errante por entre paisagens que me parecem ora lindas, ora devastadas.
Culpa do mundo não é, claro. Soy yo, eu mesma, tentando descobrir quem sou depois do divórcio, e enquanto caminho vou mudando de opinião, deixando amigos na mão e sendo solícita com outros. Nunca fiz tantas amizades. Nunca machuquei tanta gente.
Nesta frouxidão toda, onde é que a estabilidade foi parar? O ensinamento budista da impermanência faz mais sentido do que nunca, mas também ganhou um novo significado pessoal. Hoje eu penso assim: o fato de que tudo se transforma não significa que você precisa ficar flutuando à deriva. É importante colocar raízes, afinal de contas somos humanos e até o meus gatos ficam mais felizes quando têm rotina. O negócio, mesmo, é deixar o desconforto do paradoxo descansar tranquilo na palma da mão e aprender a colocar raízes na ilusão. Buscar água lá no fundo do holograma, sustentando ao mesmo tempo a imagem do nosso lugar na segurança do cotidiano e a possibilidade de que tudo pode mudar de repente. Já está mudando, aliás.
Mas vamos ao que importa. Ao longo desta desastrada caminhada, algumas coisas têm me ajudado. São pequenas coisas preciosas que dão sentido para a vida. Na edição desta semana do Sofá, trago para você uma lista com aquilo que me dá alento, começando pela coisas de ler e de escrever. Na semana que vem vou passar para outros recursos, e neste abril a editoria aqui no Sofá será esta: trarei recomendações, falarei de objetos de alento e deixarei comentários sobre aquilo que é um ensaio de âncora me ajudando a encontrar um pouco de calma no vendaval do samsara.
Desejo que estas coisas te dêem alento, também. E você, o que te dá conforto? Quer dividir umas dicas comigo e com os outros leitores do Sofá aqui nos comentários?
Lista das coisas que dão alento: ler e escrever
Livros gostosos
Voilà uma lista que contém os meus queridinhos do momento:
Quando tudo se desfaz, da Pema Chödron. Livro de cabeceira do Lou Reed, da Laurie Anderson e da Marianne Faithful. Aquele companheiro para deixar perto especialmente em momentos de crise e mudança.
A assinatura de todas as coisas, Liz Gilbert. Venho de uma família acadêmica, por isso herdei um monte de preconceitos contra autores best-sellers e narrativas gostosas de ler. Se fosse difícil e complicado era sinal de qualidade. Tudo bobagem, claro. Este livro da mesma autora de Comer, Rezar e Amar é lindo, delicioso, bem escrito, forte, terno e feminista.
Carga viva, da Ana Rusche. Uma viagem com ternura e inteligência aos anos 80 no Brasil, com direito a Escort XR3.
Ano passado, livro de poemas da Júlia Hansen. Sei lá, adoro. Me dá conforto e a sensação de que alguém está passando o ano comigo.
Tudo da Adriana Lisboa. Gosto do jeito como ela escreve. Meus preferidos são Rakushisha, Hanói e Azul corvo.
Forty rules of love, da escritora de origem turca Elif Shafak. A história ficcionalizada da amziade entre Rumi e Shams, na origem do sufismo, tudo isto cruzado com uma narrativa romântica contemporânea. Não foi publicado ainda no Brasil, então por enquanto só para quem lê em inglês (alô alô, editoras!).
Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa, é outro best-seller incrível. Pra quem gosta de gato, tá?
Textos de newsletters que dão alento (continua na semana que vem)
Como recomeçar do nada, na newsletter All things awe.
Motivos para viver, na newsletter Natércia soluça lúcida.
Atelier de Escrita Reconectiva Preciosa Vida, Preciosa Morte: inscrição até domingo (05/04)
De 06/04 a 05/05 Assim como há dureza na vida, também há suavidade na morte. Quantas lutos e quantos renascimentos dá pra viver num corpo só? Esta edição do atelier de Escrita Reconectiva convida a encontrar com a morte por meio da escrita.
Um atelier prático. Quatro vezes por semana, meia hora por encontro, começamos o dia escrevendo para observar a vida a partir do prisma do fim.
Quando De 06/04 a 05/05. Segundas, terças, quintas e sextas.
Das 8 às 8.30 da manhã (horário do Brasil).
Online pelo Google Meet. Os encontros são ao vivo e ficam gravados.
Para quem? O atelier é aberto a todos. Não é preciso ter experiência nem projeto de escrita em andamento.
Para quê? Este atelier é ótimo para quem quer desbloquear um projeto, ganhar intimidade com a escrita, expandir o vocabulário criativo ou simplesmente se reconectar.
Valor R$200 ou 35 euros (para quem não está no Brasil)
*Vagas limitadas.
Novidades: encontros do Sofá
Queridas leitoras e leitores, este Sofá é gratuito. Ele me dá muito trabalho e principalmente muitas alegrias. Uma alegria: me faz escrever toda semana. Outra alegria: escrever para vocês. Mais uma: ele me dá novos amigos e me ajuda a construir uma comunidade que se liga pela escrita.
Apesar de gratuito, o Sofá requer bastante dedicação aqui do meu lado, então ano passado criei uma campanha no Apoiase para que os leitores que desejam possam apoiar financeiramente o Sofá todos os meses e permitir que ele permaneça gratuito. (Você pode apoiar a partir de R$7 por mês!). Ano passado a vida me atropelou, mas agora finalmente inicio este novo projeto: os Encontros do Sofá.
Começando em abril, nos encontraremos mensalmente pelo Google Meet. Os Encontros do Sofá serão exclusivos para apoiadores e para as pessoas que estão fazendo fazendo as oficinas de Escrita Reconectiva comigo no momento, assim podemos juntar mundos de leitura e escrita. Bora? Esta é a lista de temas para os encontros do primeiro semestre (datas a confirmar):
Abril: vamos falar sobre rotina de escrita?
Maio: vamos conversar sobre newsletters?
Junho: vamos falar sobre rituais e prática criativa?
Julho: vamos passar uma hora escrevendo juntos? Mini-oficina de escrita reconectiva.
Agosto: vamos conversar sobre o que estamos lendo?
Bora se juntar?
Ah! E que vocês sejam felizes, sempre. Até a próxima,
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“Espinho não machuca flor” aos poucos vai… Forty rules of Love é divino! 🌹
Eu amo esse texto "como recomeçar do nada". É um alento para alma! E o livro da Elizabeth Gilbert, não conhecia. Já coloquei na minha lista!
O da Pema tbm virou meu livro de cabeceira. Sempre preciso revisita-lo.
Boa vida por aí, Surina! 🪷